OCSs: “receitas” rápidas


Não creio que a generalidade dos Jornalistas faça comparações e tire conclusões do tipo: o Público é melhor que o Sol. Pelo contrário, creio que todos os Jornalistas, mesmo os que trabalham nestes Títulos, estão preocupados e têm mais perguntas que respostas.

Em todo o caso, culpar os jornalistas pela “escassez” de jornalismo nos Jornais é como imputar a responsabilidade dos dejetos de cão, omnipresentes nas ruas das cidades, aos respetivos animais. Perdoem-me a crueza da comparação.

Se são eles os autores daquela merda? Sem dúvida! Mas, a titularidade de tão desagradável rastro pertence-lhes? Nem pensar! A decisão não lhes coube, ninguém perguntou a sua opinião nem eles alguma vez estiveram em posição de a manifestar!

Os OCSs são, maioritariamente, propriedade de entidades que encaram o seu investimento como encarariam qualquer outro negócio – um talho ou uma mercearia são bons exemplos – com uma vantagem extra: ao contrário do talho ou da mercearia, o OCS dá-lhes um certo Poder, uma certa Notoriedade, uma certa Capacidade de influenciar os acontecimentos “to be”. Mas nada mais que isso! Mercearia e Vaidade são os elementos identificativos predominantes entre os atuais investidores no setor.

Interesses económicos, e por isso políticos, de curto prazo, ditam as opções daqueles que têm capital suficiente para sustentar o OCS até este atingir o break-even, ou seja, o ponto em que as receitas cobrem as despesas, e obter ganhos financeiros daí em diante. Pelo caminho, outras mais-valias foram realizadas sob a forma de influência, poder, batota no limite!

Para tanto, estes investidores acreditam nas verdades que conhecem acerca dos negócios, o que os leva a adotar soluções de racionalidade económica, à margem da especificidade do negócio. Daí, a breve trecho ficarem convencidos que qualquer um faz um OCS e que o “jornalismo” e os custos que lhe estão associados são uma treta – que pode dispensar os Jornalistas e fazer o mesmo OCS com estagiários a custo 0, manter as audiências e os resultados da “marca”.

A seguir descobrem que os Leitores apreciam informação “pré-mastigada” que os dispense de formar a sua própria opinião. E, com isso, descobrem uma razão extra para dispensar Jornalistas e contratar Colunistas, reforçando a componente Opinião do OCS. É mais barato e… se é disso que o povo gosta!

Estes investidores, no seu íntimo, acham-se melhores que os Leitores do OCS. Consideram os seus “consumidores” basicamente estúpidos e fáceis de ludibriar. Não têm qualquer espécie de respeito pelos seus clientes. E, por isso, rodeiam-se de tipos da mesma índole. Vendilhões, mestres na arte da “treta”, destituídos de quaisquer Conhecimento e Valores característicos e definidores do setor.

Conscientes da sua incapacidade e ignorância, rapidamente se desfazem de todos os que, voluntária ou involuntariamente, reúnam as condições necessárias para tornar evidentes as suas falhas.

Daí a rodearem-se de colaboradores ainda mais imbecis que eles, vai um pequeno passo, percorrido num ápice. E depois os resultados começam a descer! Quando os resultados descem há que mexer no Marketing, toda a gente sabe. E então acrescentam marketing e reduzem, proporcionalmente, o Jornalismo, porque o “orçamento” não estica! E assim sucessivamente! Os resultados descem, pede-se um estudo de mercado, o estudo de mercado conclui que os clientes são burros, pelo que se desinveste na inteligência e investe-se mais na estupidez! Afinal, “o cliente é que manda”, certo?

Esta espiral descendente reproduz-se até os resultados ficarem tão maus que é necessário reequacionar todo o modelo de negócio. É aqui que o Jornalismo, e os Jornalistas, têm a sua oportunidade: se estiverem na disposição de aceitar que qualquer OCS de sucesso resulta do compromisso entre Marketing e Jornalismo, aceitando o papel de “intérprete” entre as duas linguagens, desempenhado pelo “Editor”. Que terá de ser uma figura que aceite e respeite os fundamentos do Jornalismo e, ao mesmo tempo, tenha a capacidade de explorar os pontos fortes do Produto que tem entre mãos para ganhar um espaço e uma audiência.

Sabendo que em qualquer OCS co-existem dois produtos: um destinado aos Leitores/Utilizadores; e outro destinado aos que, a montante, pretendem transmitir-lhes uma mensagem com a credibilidade emprestada pelo suporte: Ou seja, os Anunciantes!

Não há OCS sem Jornalismo, da mesma forma que, atualmente, nenhum OCS é viável sem Marketing! Sendo que em nenhum caso os princípios e valores do jornalismo poderão ser substituídos, ou até eliminados, pelas simples técnicas de Marketing.

O marketing pode dar notoriedade e até vendas, aqui e ali, mas é o jornalismo que dá a substância indispensável para que o marketing funcione, in illo tempore!

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