Quanto vale a “personalidade” do OCS?


Parte I

O que registo na generalidade dos OCSs, evidenciado pela non-chalance característica da silly season mas não exclusiva do período, é, sobretudo, a enorme falta de “carácter” subjacente a cada um dos “meios” e que todos deveriam consubstanciar.

Televisões e Rádios, Jornais e Revistas, todos parecem viver num frenesim de se copiarem mutuamente, importando “conceitos” e adaptando “formatos”, tanto dos concorrentes directos como até de “meios” com os quais nada têm a ver. A voracidade na disputa por cada fatia dos “bolos” das Audiências e dos Anunciantes, exponenciada por uma sensação de urgência com origem nos “topos” Executivo e Accionista, teve como resultado mais visível a criação de “amálgamas” de conteúdos, não raro no desrespeito pelos mais elementares princípios que conformam, ou deveriam, o jornalismo e a definição de qualquer OCS, produzindo “mantas de retalhos”, progressivamente mais iguais e indiferenciadas entre si.

Nesta reflexão deixo, deliberadamente, de fora, todos os aspectos relacionados com as opções sobre Recursos Humanos, em consequência do ascendente adquirido pelos aspectos puramente financeiros e contabilísticos sobre as restantes varáveis do negócio. Nada direi, portanto, sobre a eliminação da “memória” das redacções, muito menos sobre o que acho da contratação indiscriminada de estagiários, fundada, quase sempre, exclusivamente no seu baixo custo.

No longo prazo, e num certo sentido, a diferença entre um OCS, qualquer que ele seja, e cada um dos indivíduos que este pode almejar atingir, não é assim tão grande. Os indivíduos fazem as suas escolhas subordinando-as a emoções de identificação, rejeição ou indiferença. Ou a um mix de diferentes combinações delas.

É, por isso, essencial que cada OCS se apresente aos seus destinatários, de forma clara e inequívoca, com um conjunto de princípios, temas e formatos, que desencadeiem nos seus alvos a emoção que convém: a identificação! Ou seja, que tenha uma “personalidade”, “carácter”, isto é, uma coerência material e formal que esteja presente em todos os conteúdos, e que, no respeito deste aspecto, lhe acrescente algo e preencha as suas necessidades, progressivamente maiores, de informação de qualidade. Cada segmento tem ideias diferentes acerca do que “qualidade” é, e espera ser servido de acordo com as suas expectativas.

Os conteúdos lideram o processo, mas as características formais desempenham um papel impossível de negligenciar. Também aqui a coerência é indispensável: um nível de linguagem apurado, com títulos e textos a condizer, não vão bem com um desenho negligente ou menos cuidado. E ambos não podem conceder facilidades à forma de abordar os conteúdos, mesmo nas zonas “cinzentas”, na fronteira com outros segmentos.

(continua)

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