A Privatização da Água – o que nos querem esconder (legendado)


Um trabalho da Imprensa alemã que a imprensa portuguesa ignorou

Informação da maior importância: a quem interessar


Conheço-alguns-perfeitos-idiotasCom muita humildade venho por este meio dar conhecimento a todos os meus credores – pretéritos, presentes e futuros -, independentemente da sua natureza – privada ou pública -, ou da natureza do crédito – venal, afectivo, lúdico ou outros -, ser muito possível, e até mesmo provável, que não venha a honrar as minhas obrigações ou a fazê-lo fora do prazo e apenas parcialmente, sempre com grande humildade, enfatizo, inerente a tal incumprimento ou procrastinação, com fundamento em qualquer das razões a seguir elencadas, isolada ou cumulativamente:

1 – Desconhecer a obrigação;

2 – Esquecer-me da dívida;

3 – Escassez de recursos, financeiros ou emocionais;

4 – Receio de que o cumprimento atempado possa ser interpretado como uma forma de induzir na comunidade a ideia de que sou cumpridor.

Ok?

Depois não digam que não foram avisados.

Sempre que não for da minha conveniência revelar a proveniência da “receita” poderei apresentar as mais variadas desculpas ou fazer de contas que não ouvi a pergunta.

Não é que eu seja caloteiro, nada disso. Sou apenas distraído, às vezes, outras pobre.

Não, não sou um cidadão perfeito (excepto, talvez, para a minha mãezinha). Mas, apenas com este fundamento, não aceito penhoras, de rendimentos ou de quaisquer bens, móveis ou imóveis. Nem mereço ser punido com coimas, juros, coimas de juros e/ou juros de coimas. Um cidadão imperfeito, desde que humilde, está acima destas coisas comezinhas reservadas aos piegas.

E mais não digo,

João de Sousa

Carta Aberta de Alexis Tsipras aos Leitores do Handelsblatt


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A maior parte de vós, caros leitores do Handelsblatt, terá já uma ideia preconcebida acerca do tema deste artigo, mesmo antes da leitura. Rogo que não cedais a preconceitos. O preconceito nunca foi bom conselheiro, principalmente durante períodos em que uma crise económica reforça estereótipos e gera fanatismo, nacionalismos e até violência.

Em 2010, a Grécia deixou de conseguir pagar os juros da sua dívida. Infelizmente, as autoridades europeias decidiram fingir que o problema poderia ser ultrapassado através do maior empréstimo de sempre, sob condição de austeridade orçamental, que iria, com uma precisão matemática, diminuir drasticamente o rendimento nacional, que serve para pagar empréstimos novos e antigos. Um problema de insolvência foi tratado como se fosse um problema de falta de liquidez.

Dito de outro modo, a Europa adoptou a táctica dos banqueiros com pior reputação, que não reconhecem maus empréstimos, preferindo conceder novos empréstimos à entidade insolvente, tentando fingir que o empréstimo original está a obter bons resultados, adiando a bancarrota. Bastava bom senso para se perceber que a adopção da táctica “adiar e fingir” levaria o meu país a uma situação trágica. Em vez da estabilização da Grécia, a Europa estava a criar as condições para uma crise auto-sustentada que põe em causa as fundações da própria Europa.

O meu partido e eu próprio discordamos veementemente do acordo de Maio de 2010 sobre o empréstimo, não por vós, cidadãos alemães, nos terdes dado pouco dinheiro, mas por nos terdes dado dinheiro em demasia, muito mais do que devíeis ter dado e do que o nosso governo devia ter aceitado, muito mais do que aquilo a que tinha direito. Dinheiro que não iria, fosse como fosse, nem ajudar o povo grego (pois estava a ser atirado para o buraco negro de uma dívida insustentável), nem sequer evitar o drástico aumento da dívida do governo grego, às custas dos contribuintes gregos e alemães.

Efectivamente, passado menos de um ano, a partir de 2011, as nossas previsões confirmaram-se. A combinação de novos empréstimos gigantescos e rigorosos cortes na despesa governamental diminuíram drasticamente os rendimentos e, não só não conseguiram conter a dívida, como também castigaram os cidadãos mais frágeis, transformando pessoas que, até então, haviam tido uma vida comedida e modesta em pobres e mendigos, negando-lhes, acima de tudo, a dignidade. O colapso nos rendimentos conduziu milhares de empresas à falência, dando um impulso ao poder oligopolista das grandes empresas sobreviventes. Assim, os preços têm caído, mas mais lentamente do que ordenados e salários, reduzindo a procura global de bens e serviços e esmagando rendimentos nominais, enquanto as dívidas continuam a sua ascensão inexorável. Neste contexto, o défice de esperança acelerou de forma descontrolada e, antes que déssemos por ela, o “ovo da serpente” chocou  – consequentemente, os neo-nazis começaram a patrulhar a vizinhança, disseminando a sua mensagem de ódio.

A lógica “adiar e fingir” continua a ser aplicada, apesar do seu evidente fracasso. O segundo “resgate” grego, executado na Primavera de 2012, sobrecarregou com um novo empréstimo os frágeis ombros dos contribuintes gregos, acrescentou uma margem de avaliação aos nossos fundos de segurança social e financiou uma nova cleptocracia implacável.
Recentemente, comentadores respeitados têm mencionado a estabilização da Grécia e até sinais de crescimento. 

Infelizmente, a ‘recuperação grega’ é tão-somente uma miragem que devemos ignorar o mais rapidamente possível. O recente e modesto aumento do PIB real, ao ritmo de 0,7%, não indica (como tem sido aventado) o fim da recessão, mas a sua continuação. Pensai nisto: as mesmas fontes oficiais comunicam, para o mesmo trimestre, uma taxa de inflação de -1,80%, i.e., deflação. Isto significa que o aumento de 0,7% do PIB real se deveu a uma taxa de crescimento negativo do PIB nominal! Dito de outro modo, aquilo que aconteceu foi uma redução mais rápida dos preços do que do rendimento nacional nominal. Não é exactamente motivo para anunciar o fim de seis anos de recessão!

Permiti-me dizer-vos que esta lamentável tentativa de apresentar uma nova versão das “estatísticas gregas”, para declarar que a crise grega acabou, é um insulto a todos os europeus que, há muito, merecem conhecer a verdade sobre a Grécia e sobre a Europa. Com toda a frontalidade: actualmente, a dívida grega é insustentável e os juros não conseguirão ser pagos, principalmente enquanto a Grécia continua a ser sujeita a um contínuo afogamento simulado orçamental. A insistência nestas políticas de beco sem saída, e em negação relativamente a simples operações aritméticas, é muito onerosa para o contribuinte alemão e, simultaneamente, condena uma orgulhosa nação europeia a indignidade permanente. Pior ainda: desta forma, em breve, os alemães virar-se-ão contra os gregos, os gregos contra os alemães e, obviamente, o ideal europeu sofrerá perdas catastróficas.

Quanto a uma vitória do SYRIZA, a Alemanha e, em particular, os diligentes trabalhadores alemães nada têm a temer. A nossa tarefa não é a de criar conflitos com os nossos parceiros. Nem sequer a de assegurar maiores empréstimos ou, o equivalente, o direito a défices mais elevados. Pelo contrário, o nosso objectivo é conseguir a estabilização do país, orçamentos equilibrados e, evidentemente, o fim do grande aperto dos contribuintes gregos mais frágeis, no contexto de um acordo de empréstimo pura e simplesmente inexequível. Estamos empenhados em acabar com a lógica “adiar e fingir”, não contra os cidadãos alemães, mas pretendendo vantagens mútuas para todos os europeus.

Caros leitores, percebo que, subjacente à vossa “exigência” de que o nosso governo honre todas as suas “obrigações contratuais” se esconda o medo de que, se nos derem espaço para respirar, iremos regressar aos nossos maus e velhos hábitos. Compreendo essa ansiedade. Contudo, devo dizer-vos que não foi o SYRIZA que incubou a cleptocracia que hoje finge lutar por ‘reformas’, desde que estas ‘reformas’ não afectem os seus privilégios ilicitamente obtidos. Estamos dispostos a introduzir reformas importantes e, para tal, procuramos um mandato do povo grego e, claro, a cooperação dos nossos parceiros europeus, para podermos executá-las.

A nossa tarefa é a de obter um New Deal europeu, através do qual o nosso povo possa respirar, criar e viver com dignidade.
No dia 25 de Janeiro, estará a nascer na Grécia uma grande oportunidade para a Europa. Uma oportunidade que a Europa não poderá dar-se ao luxo de perder.

Mais uma vez, o Aventar na vanguarda do verdadeiro jornalismo, está a apresentar uma tradução colaborativa de um documento essencial para a análise política internacional.

Carta Aberta de Alexis Tsipras aos Leitores do Handelsblatt

Carta aberta a Wolfgang Schäuble, ministro das finanças alemão


De Miguel Szymanski
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“Carta aberta em que o nosso autor explica, por que é que recusou um convite para uma conversa à lareira em Berlim com Wolfgang Schäuble” (in: TAZ, Berlim, 19.02.2015)
Excelentíssimo Senhor dr. Schäuble,
por favor desculpe a minha ausência amanhã na Fundação Bertelsmann que me convidou para uma “conversa à lareira” em Berlim consigo e com a sua ministra das Finanças para Portugal.
Acabei, no último momento, por decidir não ir Berlim. Desejo que a “conversa à lareira”, ou “armchair discussion” como diz o convite da Fundação Bertelsmann, seja simpática e tranquila. Isso não aconteceria se eu estivesse presente.
Sabe, por causa da sua política, que a sua ministra das Finanças em Lisboa tem seguido à risca, tive de sair do meu país há 18 meses. Todos os dias sinto saudades da família dos amigos. Além de mim, mais 400 000 pessoas tiveram que sair de Portugal nos últimos quatro anos para fugir à pobreza e miséria.
A sua ministra das Finanças anunciou esta semana que vai reembolsar antecipadamente 14 mil milhões de euros da dívida pública portuguesa. Esse será um dos grandes temas do serão junto à lareira amanhã.
O senhor e a sua ministra irão mostrar-se orgulhosos. Terão assim mostrado aos gregos como é que se governa, como é que se governa contra a vontade e o bem estar das pessoas, só porque o entendimento que o senhor tem da economia assim o dita. Mesmo quando a decência e o intelecto lhe dizem, de todos os lados, que a verdade que defende é míope.
Nestas circunstâncias nada há, que eu lhe possa dizer, que o senhor não saiba já.
Nada sobre a pobreza a que o meu país foi condenado. Nada sobre idosos indefesos ou jovens sem futuro.
As suas manobras, senhor dr. Schäuble, são ilusões. O senhor sabe isso. Ilusões que todos os dias custam vidas de pessoas e pelas quais muitas crianças no meu país comem menos do que deviam. Em parte são ilusões, em parte manipulações estatísticas, como os números do desemprego ou das exportações.
Com esses 14 mil milhões de “pagamento antecipado” da dívida, anunciado pela sua melhor aluna, com essa riqueza espremida do país, Portugal poderia ter pago a todas as pessoas que tiveram de emigrar desde 2011 o ordenado mínimo nacional durante mais de seis anos.
Mas a sua ministra das Finanças seguiu as suas indicações e vendeu quase meio milhão de pessoas por um valor irrisório. Muitas dessas pessoas estão agora a trabalhar aqui, a enriquecer a Alemanha. No meu país morrem pessoas por causa da sua política. Não teria sido um serão agradável, senhor dr. Schäuble.
Com os melhores cumprimentos,
Miguel Szymanski
Jornalista emigrado para a Alemanha em 2013
 Link para o Jornal TAZ (alemão) onde foi publicada originalmente esta Carta Aberta

Dedicado aos políticos que dirigem a Europa


Vamos continuar a fazer crescer a lista…

Todos os contributos serão apreciados!

Mais Alguns…

anhuca

cabresto, caganeiroso, chibarrão

galego, gimbras ou gimbrinhas

jagunço, janota, jarreta, jerico, jardas, jacobino

matacão

pandulas, peideiro, pestilento, picolho, pila murcha

rafeiro, rei das alcagoitas

varrasco

zé côdeas

lista integral dos insultos pode ser consultada aqui

Europa SA.


merkel

Novas designações de Cargos e Instituições

D. Angela Merkel
Governo da Europa
President and CEO

Dr. Pedro Passos Coelho
Governo da Europa, Sucursal em Portugal
Country Manager, Small Markets

Tb pode ocorrer dentro de algum tempo e após uma restruturação interna:

Dr. António Costa
Governo da Europa, Sucursal em Portugal
Country Manager, Small Markets

E, em último caso:

Dr. António José Seguro
Governo da Europa, Sucursal em Portugal
Personal assistant junior, Very Small & Broken Markets

(roubado a… anónimo)

Vinte Anos Depois… A Evolução da Dívida Pública de Portugal, de 1994 a 2014

10151335_10201585686104397_1349809321_nOu como a estratégia nacional mercantilista alemã conseguiu, usando o euro, reduzir-nos à escravidão e sob o controlo de um governo zombie. (José Mateus)

O Império de Rui Machete


rmachete3Foi uma das revelações com mais impacto no espólio de 800 telegramas da embaixada norte-americana em Lisboa revelados há dois anos pelo Expresso e que fazem parte do acervo de uma das maiores fugas de informação protagonizadas pelo Wikileaks.

Num relatório enviado a 15 de Dezembro de 2008 para o Departamento de Estado em Washington pelo então embaixador dos EUA em Portugal, Thomas Stephenson, Rui Machete era arrasado pela forma como geriu ao longo de duas décadas a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), visto como “suspeito de atribuir bolsas para pagar favores políticos e manter a sua sinecura”.
O embaixador norte-americano, nesse telegrama, argumentava que “chegou a hora de decapitar Machete” com base, entre outras coisas, no facto de a fundação “continuar a gastar 46% do seu orçamento de funcionamento nos seus gabinetes luxuosos decorados com peças de arte, pessoal supérfluo, uma frota de BMW com motorista e ‘custos administrativos e de pessoal’ que incluem por vezes despesas de representação em roupas, empréstimos a baixos juros para os trabalhadores e honorários para o pessoal que participa nos próprios programas da FLAD”.
Rui Manuel Parente Chancerelle de Machete, de 73 anos, tornou-se administrador da FLAD em 1985, logo quando a fundação foi criada com dinheiro dos EUA no âmbito do acordo das Lajes, tornando-se seu presidente em 1988. Foi substituído no cargo por Maria de Lurdes Rodrigues em 2010.
Apesar de ter sido presidente durante vários anos do Conselho Superior da SLN, a sociedade que foi proprietária do BPN, o banco nacionalizado pelo Estado em 2008 e que envolve um custo de mais de quatro mil milhões de euros para os contribuintes, esse facto não consta do seu currículo oficial.
Machete também foi, entre muitos outros cargos, presidente do Conselho Fiscal do Taguspark, sociedade que se viu envolvida num processo-crime a propósito de um contrato publicitário com o ex-futebolista Luís Figo e de ligações consideradas suspeitas à campanha para a reeleição do então ex-primeiro ministro socialista José Sócrates, em 2009.

(fonte: Wikileaks Portugal)

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“Bilderberg: As minhas perguntas a Balsemão e a sua resposta”


balsemaoDo Blogue Perguntas InOfensivas

Por Marisa Moura

“Ontem enviei perguntas, por e-mail, a Francisco Pinto Balsemão, presidente do grupo Impresa (canais televisivos SIC, semanário Expresso, revistas Visão, Exame, Caras, etc.), fundador do Partido PPD – Popular Democrático (actual PSD – Partido Social Democrata), ex primeiro-ministro de Portugal, e um membro da comissão de direcção das reuniões Bilderberg, encabeçada pelo presidente do grupo financeiro dos seguros Axa e cujo chairman é o quase centenário David Rockefeller.

Copio abaixo o e-mail que enviei a Balsemão e a nota sobre a resposta que recebi:

Dr.  Balsemão,

Sou freelancer desde que saí do Grupo Impresa em 2010 e é nessa qualidade que lhe dirijo as questões que seguem abaixo, sobre a crise política do momento, o grupo Impresa e o clube de Bilderberg, às quais agradeço que responda logo que lhe seja possível, nas próximas semanas.

Antes, ainda uma obrigatória palavra sobre a minha saída do grupo Impresa. Demiti-me por razões que creio serem do seu conhecimento. Lamento ter saído por tais razões, lamento a forma como tive de sair e lamento ter-me visto obrigada a tornar pública a situação, bem como lamento a forma pela qual a tornei pública. Pauto-me exclusivamente pelos mais nobres valores de cidadania e ética profissional, pelo que a esses, e apenas esses, jurei lealdade. É sob esse mesmo compromisso que, por mais insólito que pareça, lhe dirijo hoje estas questões. Espero que compreenda e reaja em conformidade com essa compreensão enviando de volta respostas.

Com os meus sinceros cumprimentos e agradecimentos, aqui seguem então.

As questões:

1 – Duas semanas após a reunião do clube de Bilderberg de Junho, em que o Dr. Balsemão levou Paulo Portas (CDS-PP, no governo) e António José Seguro (PS), a revista Exame entrevistou Paulo Portas, que é a capa neste momento em banca. Duas semanas após a entrevista Paulo Portas demite-se do governo e desencadeia eleições antecipadas nas quais Portas e Seguro são precisamente os melhor posicionados para ganhar. Quando Durão Barroso esteve consigo na reunião de 2003 o governo, por outras razões, também mudou. A revista Exame não costuma fazer capa com políticos, mas recentemente já fez duas. Compreende-se que seja a nova linha editorial resultante da nova direcção, mas ambas as capas são com membros centristas do governo (Assunção Cristas, primeiro, Portas agora). Destes factos se infere que neste momento a revista Exame (grupo Impresa) está a fazer campanha por Paulo Portas para as legislativas.

A pergunta é: Que garantias dá aos leitores da Exame, e audiências dos demais órgãos do grupo Impresa, de que esta inferência estará incorrecta? Que garantias dá aos cidadãos portugueses de que os conteúdos que consomem, veiculados pelas revistas Exame e Visão, pelo jornal Expresso e pelos canais da SIC, cumprem estritamente os deveres constitucionais de Informar desta Democracia?

2 – Por que razão inscreve a sua “filiação” no clube de Bilderberg no seu curriculum quando grande parte dos membros nega integrá-lo? Recordo-me, por exemplo, que optou por inscrever essa filiação na pequena bio que o descrevia como orador numa das conferências anuais Portugal em Exame…

3 – Tal como a Maçonaria, o clube de Bilderberg é conotado com secretas conspirações maliciosas ao bem-estar das sociedades, ou no mínimo, poderosas redes de nepotismo. No caso da Maçonaria, em Portugal, têm surgido maçons, como António ArnautJoão Cravinho, a defenderem a transparência relativamente aos seus membros, nomeadamente aos que exerçam cargos públicos. Defende semelhante linha de transparência para o clube de Bilderberg?

4 – Que motivações o levaram a juntar-se ao clube de Bilderberg? Do contributo do Clube para a consolidação da Democracia em Portugal que decisão/decisões destacaria? Porquê?

Mais uma vez agradeço a atenção e compreensão.

Sinceros cumprimentos,

Marisa

***

 Resposta:

A resposta a estas questões veio por telefone na mesma tarde através da secretária de Francisco Pinto Balsemão. O diálogo foi algo assim:

– O doutor diz que tudo o que tinha a dizer sobre esse assunto já disse no programa “Quem Diria”.

Mas há uma pergunta muito concreta sobre o grupo Impresa, por exemplo.

– Ele viu as perguntas. Tudo o que tinha a dizer já disse no programa.

Ok. Ele lá sabe dos seus direitos e deveres…

“Quem Diria” é um programa mensal do canal SIC Notícias (grupo Impresa) que junta duas personalidades à conversa sobre a actualidade e as suas vidas mais pessoais. O último, com Balsemão e a actriz Simone de Oliveira, foi para o ar dia 29 de Junho. Pode ver-se aqui o spot de auto-promoção, mas o programa em si não está disponível no site da SIC Notícias onde constam anteriores edições. Não vi o programa, não sei quem tenha visto e não tenho maneira de ver, pelo que, neste momento, não sei o que Francisco Balsemão disse nesta sua aparição após a reunião Bilderberg do início de Junho.

Facto: Balsemão acaba de ser chamado a garantir aos cidadãos de que é idónea a informação veiculada nos meios do seu grupo de media mas optou pelo silêncio.

***

Notas: bilderberg

1 – Enviei estas perguntas ontem antes de saber que nesse mesmo dia a revista Visão (grupo Impresa) publicou online um artigo que legitima ainda mais a tal inferência de que Balsemão está mandatado, ou auto-mandatado, para, através do seu grupo de media, derrubar o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, ou, pelo menos, enfraquecer a ala social-democrata da actual coligação governativa.

2 – Muitas outras questões haveria a fazer, mas limitei-me às questões mais centradas no momento pois sei que, quantas mais perguntas, menores probabilidades de obter qualquer resposta.

3 – Na pergunta 2, quando refiro que «grande parte dos membros nega integrá-lo», não me refiro em especial às ditas “reuniões Bilderberg” das quais existe um site oficial onde se listam os 35 membros da actual comissão de direcção e anteriores. Referia-me a todos os envolvidos nestas reuniões e paralelamente a elas. Mas confesso: precipitei-me. O site de Bilderberg tem também a lista da ordem de trabalhos das três últimas reuniões e no botão ao lado estão listados os participantes em cada reunião, residentes e convidados como o ministro Paulo Portas e o líder da oposição António José Seguro nesta 61.ª edição. Só percebi isso agora quando entrei na zona da agenda para copiar o link a inserir aqui. Todavia a questão mantém pertinência na medida em que se refere à transparência do Clube.

3.1. – No site Bilderberg afirma-se: «Graças à natureza privada da conferência, os participantes não são limitados  por convenções ou posições pré-acordadas. Assim podem focar-se em escutar, reflectir e reunir pontos de vista. Não há agenda detalhada, não se propõem resoluções, não há votações, e não são publicadas directrizes políticas». Ou seja: o Bilderberg funciona sob uma espécie de regra Chatham House (como aquela que o governo quis introduzir no debate sobre a Reforma do Estado – aberto à sociedade civil mas onde os jornalistas não podiam gravar nem sequer citar alguém sem autorização prévia), mas, no caso de Bilderberg, em versão exacerbada e ilícita. Ilícita na medida em que são por demais evidentes os sinais de que ali, realmente, se elegem os governos de cada Democracia.

3.2. – Se no clube de Bilderberg se alinham rumos que impactam as vidas dos cidadãos, essas reuniões têm o dever de prestar contas e a Imprensa tem o direito e dever de aceder ao conteúdo de tais “plenários”. Nas democracias, a gestão da polis faz-se nos Parlamentos. Se a política passou a ser feita (ou sempre foi, aliás) nos “parlamentos” de Bilderberg e da Maçonaria, sem qualquer cavaco prestado a ninguém, então, na verdade, os Parlamentos são mero engodo para iludir a existência de democracias.

3.3. – Estas sociedades “secretas” estão a funcionar tal e qual como funcionaram os produtos financeiros tóxicos que desencadearam em  actual crise europeia,a partir do subprime norte-americano em 2007. Esses rolaram de forma tão desregulada que provocam os danos que agora se vê. Isto com os líderes da finança sempre a afirmarem que o sector financeiro «é o mais regulamentado de todos».

3.4. – Bilderberg, Maçonaria e demais “secretas” têm de ser regulamentadas. Nos Parlamentos “oficiais”, aprovam-se boas e más leis. Há bons e maus deputados. Mas o que ali se passa, para o bem ou para o mal, é escrutável. Para já, é urgente tornar obrigatório o escrutínio público de Bilderberg e Maçonaria. Já! 

4 – Se tentar abrir os links de cada zona do site Bilderberg e der erro (como é habitual), entre pela página inicial que abre sempre.

5 – Dirigi-me a Francisco Pinto Balsemão como “Dr.” a título muito excepcional, pois, discordando com a cultura de “doutores e engenheiros” dominante em Portugal, reservo o uso a situações muitíssimo excepcionais como esta em que achei que seria melhor não criar anticorpos logo na primeira linha, pois estava em causa um interesse colectivo ainda mais importante do que a perversão por detrás da tal cultura dos títulos (ou, pelo menos, de interesse equiparável, e interligado). No grupo Impresa a esmagadora maioria diz sempre “doutor Balsemão” mesmo em diálogos super-informais longe da pessoa ou de qualquer dos seus mais próximos colaboradores. E optei também pelo “Dr. Balsemão” porque para usar o nome completo, como costumo usar, teria de o anteceder com um “Caro” ou “Estimado” ou “Exm.º” e não me senti com suficiente estima pelo interlocutor para tal cumprimento.

6 – Enviei também ontem perguntas a João Vieira Pereira, director da revista Exame e director-adjunto do semanário Expresso. Perguntei que critérios jornalísticos exactamente justificaram a entrevista ao ministro (embora eles estejam bem defendidos pois Portas é o ministro dos negócios estrangeiros e a Exame é uma revista se negócios). Solicitei  garantias de que estará incorrecta a inferência sobre a relação entre a entrevista a Portas (capa da Exame agora na banca) e a sua presença, com Balsemão, dias antes na reunião de Bilderberg. Solicitei também garantias aos leitores da Exame de que é idónea a informação que ali se publica. Fixei como deadline duas semanas. Uma coisa reconheço: Não tivesse eu trabalhado na Exame e no Expresso e ter-me demitido por “conspirações” do género, e aquela capa não me teria chamado minimamente a atenção.  Pelo que compreendo quem eventualmente vislumbrar laivos de “delírio” nesta minha “tese”.

***

Alguns links sobre este assunto:

»» “Paulo Portas e António José Seguro estiveram no clube de Bilderberg” – SIC Notícias, 09/06/2013
»» “As Soberânias Nacionais Estão Mortas” – Entrevista, em Inglaterra, ao ex-apresentador da BBC e estudioso de Bilderberg, David Icke, na última reunião, pelo português Basílio Martins – jornal O Diabo, 03/07/2013 [com exemplo do Tratado de Lisboa, o tal em que Sócrates soltou o célebre «Porreiro, pá!» Não embarcasse David Icke em certos ambientes freaks ligados à espiritualidade, pondo-se a jeito para ser descredibilizado, e ninguém teria razões para acusá-lo de “desequilibrado” pois factos é coisa que não falta nesta evidência “conspirativa” de que os Parlamentos são mero inglês-ver].
»» Será também isto do marido da ministra mais uma coincidência Balsemão/Bilderberg? [ver blogue]
»» Por que será que algo me diz que o Portas preparou isto há umas semanitas? [ver blogue]”

Nota de João de Sousa

Super-Espião tuíta e desencadeia avalanche de page views

Publiquei este trabalho da Marisa Moura há pouco mais de um ano, precisamente a 4 de Julho de 2013, (evidentemente) com a enfática autorização da autora.
Na altura, e durante algumas semanas, o post esteve entre os mais lidos, tendo feito o seu caminho normal e, à medida que o tempo foi decorrendo, desaparecido completamente das listas diárias dos mais lidos.
Até há três dias: sábado passado (26/07/2014), não sei como nem porquê, o super-espião Jorge Silva Carvalho, ex-chefe das secretas, leu o post acima neste blogue e decidiu tweet(tá-lo). Desde então o número de visitas não cessa de crescer. Disparou em flecha!
Embora curioso sobre as motivações que terão levado a dita personagem a achar que um post com mais de um ano merecia a sua atenção e empenho pessoal na sua divulgação, não posso deixar de lhe agradecer a enorme visibilidade que, em poucos dias, este blogue adquiriu. 😀

Um doce a quem adivinhar porquê…

JS

Ver também o artigo “Se eu fosse o Salgado

Uma tarde divertida no Facebook


Plano Tecnológico de Sócrates é um sucesso tremendo e Portugal chega a líder mundial na Virtualização

socratesO Presidente da República é virtual

O Governo é virtual

O principal partido da Oposição tem um líder virtual

Os sucessos do governo no défice e na dívida são virtuais

Quem detém realmente o poder é virtual.

Reais mesmo, infelizmente, só a pobreza e o desemprego.

Contributo para a Doutrina do Direito Constitucional

Bomba

A partir de hoje a Doutrina Constitucional fica enriquecida com a introdução de uma nova expressão. Ou melhor, com o aperfeiçoamento de uma ideia preexistente.

O conceito de “bomba atómica”, associado à dissolução do Parlamento e convocação de eleições antecipadas pelo Presidente da República, passa, doravante, a designar-se “bomba atónita”, graças à nota de ausência de percepção da realidade que Cavaco Silva acaba de lhe adicionar.

Bocas

Passos Coelho quer disputar lugar de “Joker”, no Guiness, ao Ministro da Comunicação do Iraque, quando em Bagdad, com as tropas americanas já tomavam chá no Palácio Presidencial, ainda dizia no briefing para jornalistas que iam esmagar os invasores.

Fonte governamental confidenciou à nossa redacção que, por motivos de economia, na tomada de “poses”, de Maria Luís Albuquerque, foram utilizadas algálias recauchutadas fornecidas pelo Ministro da Saúde, Paulo Macedo.

Ainda bem que o Passos Coelho, o Gaspar e o Portas sempre tiveram no eixo das suas preocupações a imagem externa do País e a recuperação da credibilidade externa.Imaginem que não tinham…?

Está explicado, finalmente, quem é que tinha em mente o Laurence Peter quando escreveu a conhecida obra “O Princípio de Peter”. Era uma antevisão deste Governo liderado por Pedro…

Cavaco está convencido que ainda é Presidente da República e afinal tudo isto não passa de uma cortesia para o manter nessa ilusão.

“CDS sai todo de uma vez”

Vão ao Trumps? A dúvida é se saem de táxi ou de Smart (for two).

Vão ao Trumps?
A dúvida é se saem de táxi ou de Smart (for two).

 

Briefings II

edpPara obstar à quebra do ciclo de: briefing > demissão > tomada de posse, amanhã mesmo, depois do Briefing, apresento a minha demissão de cidadão, irrevogável, deixando de pagar impostos (lá terei de deixar de fumar)

E vou seguir os conselhos da minha mãe que sempre me disse: ó filho, tu muda de companhias…
– Vou abrir um “furo” no quintal e denunciar o contrato com a EPAL
– Vou comprar um gerador e romper com a EDP
– Vou aprender “sinais de fumo” e “tantans” e mandar passear a PT

Espero que a minha mãe fique contente!

Líderes políticos Gregos mandam informar que a Grécia não é Portugal

Líderes políticos Gregos mandam informar que a Grécia não é Portugal

 

Briefings I – Agenda para a Imprensaagenda

Amanhã, às 12:00 há o Briefing habitual. Em off para não dizer nada. Por volta das 16:00 somos informados da demissão da Assunção Cristas. Às 17:00 h Cavaco dá posse a Ribau Esteves, como MNE.

Depois de amanhã: às 12:00 há o Briefing habitual. Em off para não dizer nada. Por volta das 16:00 somos informados da demissão do Mota Soares. Às 17:00 h Cavaco dá posse a Fernando Seara, como Ministro da Agricultura e etc. e tal.

5ª Feira: às 12:00 há o Briefing habitual. Em off para não dizer nada. Às 17:00 h Cavaco dá posse a Luis Filipe Menezes, como Ministro da Segurança Social e etc. e tal.

E assim sucessivamente. Vai ser o Governo mais remodelado do mundo, mas em suaves prestações, como convém a um endividado.

Inovação jurídico-política: o Estado de (en)Direito


Nuno, o "Crasso"

Nuno, o “Crasso”

Este Governo é imparável. Provavelmente o melhor governo do país (de Lilliput) desde… bem, desde que lá está… hehe!

Sempre a inovar, qualquer que seja a área de conhecimento, desta feita acaba de dar uma lição a toda a jurisprudência da auto-regulação, que diz defender, ao recorrer de uma decisão de um Tribunal arbitral, isto é, de um Tribunal em cuja nomeação participou e cuja regulação se comprometeu a aceitar.

tribunal-marteloEste ousado Governo, não gostando da decisão que se comprometeu a aceitar, decidiu então recorrer para o Supremo Tribunal Administrativo, introduzindo assim uma nota de rebeldia juvenil, divertida embora rara neste nível de decisão. O Supremo Administrativo, como qualquer aluno do 2º ano de Direito poderia ter dito ao Ministro Crasso, não aceitou sequer “conhecer” o processo.

Um governo moderno, europeu, civilizado, respeitador da ideia do Estado de Direito, teria deixado as coisas por aqui e saído, discretamente, pela “direita baixa”. Mas o nosso governo não é desses, felizmente, e não se deixa intimidar pelas decisões sucessivas de Tribunais. Não compreende sequer essa ideia antiquada de os governos terem de cumprir e aplicar as leis vigentes na ordem jurídica do país que governam.

Lisboa - O Primeiro Ministro assina Acordo Social entre o Governo e a Confederação Nacional das Instituições.

Daí, o Primeiro-Ministro Passos Coelho, ter de imediato transmitido um claro aviso à navegação: “como as decisões dos tribunais, aplicando a Lei e a Constituição, não são do meu agrado, vou mudar a Lei. E só não mudo a Constituição porque não consigo fazê-lo sem os votos do Partido que fiz questão de desprezar e destratar publicamente para mostrar quão bom eu sou”.

A este contributo teórico para a Ciência (ou Filosofia) Política, a Doutrina (isto é, eu) convencionou designar por “substituição do Estado de Direito pelo estado de en-direita”. Um portento Académico, mais um, deste Governo prolixo… ou será pro-lixo?

Ver aqui artigo anterior dedicado a este tema.